O fiasco do Facebook, ou a internet como ela é

Marcos Guterman

30 de maio de 2012 | 10h00

As ações do Facebook perderam mais de 20% de seu valor uma semana depois de seu rumoroso IPO (oferta pública inicial de ações). À parte as especulações sobre algum tipo de manipulação ou fraude, o fato é que o prejuízo é didático para perceber os limites da internet e de seus monstros empresariais.

Os investidores parecem ter concluído que o Facebook é menor do que o buzz em torno dele faz supor. Ou seja: a rede de Mark Zuckerberg orgulha-se de seus milhões de seguidores, mas o mercado entende que esse potencial não é monetizado de modo consistente. A General Motors notou isso e decidiu parar de anunciar no Facebook. Outros devem seguir seu exemplo.

Esse não é um problema só do Facebook. A internet, em geral, é um lugar para o qual as pessoas convergem em busca de diversão e informação barata ou gratuita. Só aceitam pagar quando o produto oferecido é de reconhecida qualidade e exclusividade, caso do New York Times, que registra crescente número de assinantes pagantes de seu serviço digital. Mas exemplos assim são raros. Mesmo a pornografia, que é o motor financeiro da internet desde sempre, viu os sites pagos minguarem, porque a oferta gratuita na web é cada vez maior.

Em relação ao mercado de trabalho, a internet, que prometia ser a meca dos jornalistas neste início de século, provou-se uma decepção – a alimentação automática de sites restringe dramaticamente a oportunidade de emprego na rede, e a maioria das poucas vagas existentes remunera muito mal.

Ou seja: a “nova economia” representada pela internet tem muito pouco de economia, e vive basicamente atrelada à “velha economia”, justamente o modelo que ela deveria superar. Não se nega o potencial da web na ruptura dos padrões de comunicação e de integração social, mas agora é possível perceber que seu limite, ao contrário dos prognósticos deslumbrados, não é o céu.

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