O escândalo da pedofilia: não matem o mensageiro

Marcos Guterman

02 de abril de 2010 | 01h15

O presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, criticou a imprensa por noticiar, com “insistência incomum”, o escândalo de pedofilia na Igreja Católica. O Vaticano chamou esse noticiário de “tentativa ignóbil” de “manchar a qualquer custo” a reputação do papa Bento XVI. Estudantes católicos, em mensagem de solidariedade ao sumo pontífice, qualificaram de “semeadores da desconfiança” os jornalistas que publicam informações sobre esses casos.

Em meio a essa reação raivosa contra os jornalistas, que nada mais fazem do que noticiar casos escabrosos de violência contra crianças cujo único crime foi ter confiado em homens de batina, uma voz católica de peso resolveu lembrar que o problema não é a imprensa. Foi o arcebispo de Toronto, Thomas Collins, que disse, em sermão:

“Alguns têm usado o dom maravilhoso do sacerdócio para vantagens pessoais, traindo inocentes e devastando suas vidas. Não podemos escapar do horror argumentando que quase todos os sacerdotes têm servido fielmente, embora esse fato seja uma graça que dá alegria ao povo católico. Mas mesmo um único padre que cometa um erro causa imenso mal, e em todo o mundo padres têm feito um mal inominável. Devemos ser gratos pela atenção que a mídia dedica aos pecados do clero católico, mesmo que a repetição constante possa dar a falsa impressão de que o clero católico é particularmente pecaminoso. Essa atenção é um profundo tributo ao sacerdócio. As pessoas instintivamente esperam a santidade de um padre católico e ficam especialmente chocadas quando ele faz o mal”.

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