O Egito e sua “democracia”

Marcos Guterman

11 de fevereiro de 2011 | 17h06

Mohammed ElBaradei, que na quinta-feira havia implorado ao Exército egípcio que tomasse o poder para tirar o ditador Hosni Mubarak de lá, festejou: “Minha mensagem ao povo egípcio é que vocês ganharam a liberdade. Façam o melhor uso disso, e que Deus os abençoe”.

Estranho esse Egito, onde um Prêmio Nobel da Paz apela aos militares para dar um golpe de Estado e que festeja a “liberdade” depois que o poder passou para as Forças Armadas. Mas talvez não seja tão estranho assim. Os militares são vistos pelos egípcios como o próprio espírito da república, e Mubarak caiu porque teria favorecido uma rede de corrupção e influência que não incluía o Exército em primeiro lugar.

Por outro lado, pode até ser que os militares egípcios presidam mesmo a transição do país para uma autêntica democracia e aceitem ser apenas seu avalista neutro. Mas já há quem aposte no contrário: que os militares, com o poder nas mãos, decidam consolidar esse status, adiando uma transformação do regime que, inevitavelmente, reduziria sua capacidade de interferir nos rumos do país e em seus interesses diretos.

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