O efeito colateral da caridade bilionária

Marcos Guterman

13 de agosto de 2010 | 00h57

O multimilionário alemão Peter Krämer criticou duramente a iniciativa de Bill Gates e Warren Buffett de convidar bilionários do mundo a doar metade de suas fortunas à caridade. Quarenta aceitaram o convite, mas Krämer, em entrevista à Der Spiegel, disse que se trata de um erro: “Eu acho essa iniciativa americana altamente problemática. Você pode deduzir as doações do imposto de renda nos EUA. Então os ricos podem fazer uma escolha: ou fazem a doação, ou pagam impostos. Os doadores estão tomando o lugar do Estado. Isso é inaceitável”.

Para Krämer, é natural que a caridade seja algo comum nos EUA, porque “o sistema social no país é desolador”. Mas ele argumenta que, dessa maneira, “não é o Estado que determina o que é bom para as pessoas, mas os ricos”. E pergunta: “Que legitimidade essas pessoas têm para decidir para onde irá essa montanha de dinheiro?”.

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