O direito das Falklands à autodeterminação

Marcos Guterman

02 de março de 2010 | 00h54

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que Washington sirva de mediador na questão das Falklands, ilhas britânicas que os argentinos chamam de “Malvinas”. Diplomaticamente, Hillary se dispôs a estimular o diálogo, mas afirmou que não pode “obrigar” ninguém a negociar.

Sem os mesmos compromissos diplomáticos, a Economist foi mais enfática, dizendo que, “mais uma vez, um governo argentino impopular está fazendo barulho agressivo sobre as Falklands”.

Para a revista britânica, a situação é cristalina: “Quase todos os argentinos e muitos latino-americanos acreditam que em geografia, história e direito internacional as ilhas que eles chamam de Malvinas pertencem à Argentina. O Reino Unido expulsou um pequeno grupo de colonos argentinos em 1833. A soberania britânica é de fato uma anomalia, mas o mundo está cheio delas. Se voltarmos o relógio para 1833, o sul da Argentina deveria ser um país independente, governado por índios, e o Estado brasileiro do Acre deveria voltar à Bolívia. Para os britânicos, garantir o direito dos moradores das Falklands à autodeterminação é a prioridade. E é um argumento forte”.

Se o governo argentino fosse mais maduro, argumenta a revista, veria a exploração de petróleo nas Falklands como uma oportunidade econômica, e não política. “Uma Argentina amistosa poderia lucrar muito com a cooperação com seus vizinhos do Atlântico Sul. E o petróleo poderia dar as bases econômicas para que os moradores das Falklands declarem independência, algo que o Reino Unido certamente não se oporia.”