O dilema da intervenção na Síria

Marcos Guterman

29 de fevereiro de 2012 | 00h06

Roger Cohen, colunista do New York Times conhecido por suas posições pacifistas, foi taxativo: “Armemos os rebeldes sírios”. “A esta altura, não há política a respeito da Síria que não envolva risco significativo. Mas o único cessar-fogo que não se transformará num efêmero pedaço de papel é aquele baseado no equilíbrio de forças. Por isso, o Exército Livre da Síria deve receber armas”, escreveu Cohen.

Por outro lado, Gideon Rachman, colunista do jornal Financial Times igualmente moderado, se declarou frontalmente contrário à intervenção no conflito sírio. “A questão-chave para qualquer intervenção externa não é apenas se ela vai interromper a matança, mas também se ela pode decisivamente influir no equilíbrio em favor de uma solução política pacífica e sustentável. Sem isso, uma intervenção externa pode simplesmente intensificar o conflito.”

Rachman diz entender os apelos por uma ação para impedir que o ditador Bashar Assad continue a matar os sírios. Já os políticos e diplomatas, afirma o colunista, são obrigados a ponderar se a intervenção não estará a criar um mal maior. Para Cohen, porém, essa ponderação é irrelevante agora, porque “ninguém poderá mais fazer o gênio (da matança) voltar à garrafa”.

Rachman considera que, para os jornalistas e ativistas dos direitos humanos que viram de perto os crimes de Assad, a urgência da intervenção tornou-se algo natural. “Mas, às vezes, o distanciamento é importante. Uma resposta emocional nem sempre é a resposta correta.” Já Cohen não tem dúvida: “A mulher de Assad comprou algumas propriedades em Londres. Vamos obrigá-la a usá-las e vamos libertar o povo sírio”.

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