O cavaleiro judeu do papa

Marcos Guterman

11 de março de 2010 | 01h18

Gary Krupp vende equipamentos médicos nos EUA.Por conta dessa sua atividade, ele conseguiu mobilizar vários empresários no país para ajudar a equipar um hospital italiano. Sua iniciativa lhe rendeu uma condecoração do Vaticano – tornou-se Cavaleiro da Ordem Equestre de São Gregório o Grande. É chamado de “vossa excelência” pelos cardeais, mostra o New York Times.

Detalhe: Krupp é judeu.

Depois de ter sido homenageado pelo Vaticano, Krupp assumiu para si a tarefa de ajudar no processo de canonização do controverso papa Pio 12, cujo silêncio em relação ao Holocausto é uma das principais fontes de atrito entre os judeus e a Igreja Católica. Ocioso dizer que a ação de Krupp foi muito bem recebida nos corredores da Santa Sé – nada melhor do que ter “um judeu” apoiando uma causa tão polêmica.

Krupp, porém, não parece nem um pouco preocupado em ser instrumentalizado. “Você sabia que Pio 12 salvou mais de 860 mil judeus dos campos de concentração?”, diz o empresário, que afirma se basear em pesquisa própria. “É um desastre que tantos judeus o considerem um antissemita.”

Para o rabino Eric Greenberg, da Liga Anti-Difamação, o trabalho de Krupp nada mais é do que “campanha de desinformação”.

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