O Brasil no computador do chefão das Farc

Marcos Guterman

10 de março de 2009 | 01h17

O computador de Raúl Reyes, o chefão das Farc morto há um ano pelo Exército da Colômbia, continua revelando um pouco mais das intenções geopolíticas da narco-guerrilha marxista colombiana. Agora, conforme o jornal El Tiempo, apareceram informações segundo as quais as Farc estavam tentando promover os “grupos revolucionários” na América Latina.

Em e-mail, há referências ao Exército Paraguaio do Povo, que recebeu armas e assessoria das Farc. Estão citados ainda, segundo o jornal, os grupos Túpac Amaru, do Peru, Movimento de Esquerda Revolucionária, do Chile, e “círculos bolivarianos” no Paraguai, no Chile, no Peru e na Bolívia. O México é mencionado como local onde se obtêm passaportes, inclusive com ajuda de funcionários públicos, e onde há bons contatos com intelectuais simpáticos à guerrilha.

O Brasil também aparece. Em e-mail a Reyes, Rodrigo Granda, outro líder das Farc, diz que um de seus contatos vai viajar ao país. “A chegada de Juan Antonio ao Brasil pode ser um elemento positivo. Podemos enviá-lo por via terrestre, eliminando riscos, e, uma vez lá, ele deve se movimentar discretamente, para não chamar a atenção das autoridades. Ele tem um bom passaporte venezuelano, e no Brasil dificilmente pedem documentos às pessoas nas ruas. Os contatos pelo ‘alto’ podem ser feitos com cuidado…”

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