No mundo da Lua, Venezuela afunda

Marcos Guterman

04 de abril de 2010 | 01h10

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mostra que a Venezuela está na contramão da vigorosa recuperação econômica latino-americana. Enquanto a maioria absoluta dos países da região apresenta sinais de retomada do crescimento depois da dura crise internacional, a economia da Venezuela caiu 5,8% no último trimestre de 2009. A inflação venezuelana, por outro lado, é a maior do continente – o primeiro bimestre registrou 3,3%.

A desculpa usual do governo de Hugo Chávez, a de que o preço do petróleo está baixo, também não se sustenta: dependente do petróleo, a economia venezuelana despencou ao mesmo tempo em que o preço do produto subia, de US$ 38 no primeiro trimestre de 2009 para US$ 70 no último.

Para os economistas que fizeram o estudo, esse sintoma indica que “a crise não é transitória nem conjuntural nem superável somente com a alta dos preços do petróleo”. Segundo eles, “a capacidade produtiva do país, petrolífera e não petrolífera, pública e privada, está seriamente deteriorada”.

A explicação, na opinião desses especialistas, é simples: “A crise tem sua origem na intenção de impor, sem base constitucional, um sistema socialista similar ao socialismo real ou marxista-leninista do século passado, baseado num esquema rentista exacerbado, aumentando a dependência do petróleo, ao mesmo tempo em que se executa uma política sistemática de redução, expropriação ou destruição do aparato produtivo privado”.

Enquanto isso, Chávez faz projetos para que a Venezuela “tenha sua própria indústria para o uso de seu espaço extraterrestre”.