Ninguém é obrigado a gostar da mãe, mas…

Marcos Guterman

03 Fevereiro 2010 | 00h42

Um sujeito identificado somente como “Abel R.” está sendo acusado de ter assassinado a própria mãe em Portugal. O jornal Público fez um resumo do caso. A seguir, os melhores momentos, mantida a grafia original:

No despacho de acusação (…), o MP refere que mãe e filho viviam juntos desde abril de 2008, mas a sua convivência “era conflituosa”, sentindo o arguido que a vítima “exercia sobre si coacção psicológica, que o tentava manipular contra o pai, que o restringia na sua liberdade, controlando-o”.

“Idealizou, então, uma forma de pôr termo à vida da mãe, ideia que foi amadurecendo ao longo de vários dias e semanas, arquitectando a forma e meios de o concretizar”, lê-se no documento.

Segundo o MP, “no princípio do mês de agosto de 2008, num fim-de-semana”, aproveitando a saída da mãe à noite, Abel R., sabendo que “aquela, habitualmente, quando chegava a casa, bebia uma chávena de leite”, desfez cerca de 40/50 comprimidos ansiolíticos, que colocou num pacote de leite no frigorífico.

Quando chegou a casa, a vítima bebeu o leite, deitando-se de seguida, tendo o arguido, durante a madrugada, por várias vezes, ido ao quarto da mãe para verificar se ainda respirava.

O despacho de acusação sustenta que na manhã seguinte “a ofendida chamou o filho, solicitando-lhe ajuda, uma vez que não se sentia bem”, tendo depois ficado no sofá da sala.

Quando a vítima adormeceu, o arguido tentou asfixiá-la com uma almofada e um edredão.

“Uma vez que a vítima resistia, debatendo-se, o arguido agarrou num cutelo de cortar carne (…), batendo várias vezes com o mesmo na cabeça”, relata o MP, acrescentando que, “como ainda fazia movimentos, o arguido pressionou novamente o edredão e a almofada, sufocando-a”.

No dia seguinte, o arguido “tentou levar o corpo para a arca frigorífica”, o que não conseguiu, “pelo que decidiu cortar o cadáver em pedaços” com uma faca eléctrica.

Como não alcançou o objectivo, Abel R. foi comprar, entre outros objectos, uma serra de cortar ferro.

De regresso a casa, o arguido cortou as pernas, braços e cabeça da mãe que, juntamente, com o tronco colocou na arca, desfazendo-se de seguida dos artigos supostamente usados para cometer os crimes, incluindo a roupa que usava e o sofá onde morreu a mãe, na lareira de casa, num pinhal e numa lixeira.