Niall Ferguson: “Obama perdeu o trem da história”

Marcos Guterman

14 de fevereiro de 2011 | 18h09

O historiador Niall Ferguson estreou coluna na revista Newsweek desancando a política externa de Barack Obama. Para Ferguson, o presidente americano perdeu duas chances históricas desde 2009 de alterar a geopolítica do Oriente Médio: ao não emprestar apoio decidido aos estudantes iranianos que desafiaram o regime dos aiatolás – que agradeceram a gentileza de Washington reprimindo cruelmente os opositores; e ao adotar uma postura ambígua em relação ao levante egípcio – que desagradou tanto os manifestantes quanto Mubarak e o Exército, sem falar dos aliados Israel e Arábia Saudita, para quem Obama não fez o bastante pelo ditador egípcio.

Ferguson considera que a inabilidade da política externa americana sob Obama resulta de falta de estratégia em meio a um cenário de grande instabilidade. O historiador responsabiliza os assessores de Obama, já que o presidente sempre foi conhecido por ser um político paroquial. E esses assessores não souberam fazer a leitura adequada dos movimentos de oposição política no Oriente Médio, porque estavam preocupados demais na contenção do Irã.

O trem da história da transformação do Oriente Médio passou e os EUA não estão nele. Roger Cohen, no NYT, mostrou que “o mais eficiente antídoto ao 11 de Setembro é o 11 de Fevereiro”, em referência à data da queda de Mubarak. Segundo ele, de nada adiantou os EUA invadirem países muçulmanos e mudarem seus governos; de nada adiantou a guerra ao terror nem o financiamento bilionário de Estados policiais para manter a “democracia” e impedir o radicalismo islâmico de chegar ao poder.

Por outro lado, os EUA atuam na ONU para proteger Israel e seus assentamentos em território palestino – embora Washington considere os assentamentos ilegais, exatamente como os países árabes. Cohen afirma, com razão, que o único que lucra com essa hipocrisia americana e a violência patrocinada por ela é o fundamentalismo muçulmano.

Para Ferguson, a “estratégia” de Obama tem sido somente dizer ao mundo: “Eu não sou George W. Bush”. E isso não é suficiente.

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