Na Terra Santa, só o heavy metal salva

Marcos Guterman

08 de maio de 2012 | 10h00

Enquanto os líderes israelenses e palestinos não mostram nenhuma disposição em superar suas divergências, um grupo de heavy metal tem conseguido transpor as fronteiras impostas pelo ódio para encontrar pontos em comum entre povos que os radicais teimam em ver como inimigos.

A banda Orphaned Land, de Israel, é, há um par de anos, o catalisador de fãs não só de seu país, mas de vários lugares do Oriente Médio, inclusive onde o rock não é exatamente bem visto. Nessa rede que se formou em torno do grupo, que tomou o Facebook e outras redes sociais, aparecem judeus, muçulmanos e cristãos, de países como Líbano, Síria, Turquia e Irã. Uma revista iraniana de rock, aliás, dedicou sua capa ao Orphaned Land em 2010, como dá para ver abaixo.

 

O segredo do sucesso da banda é a “fusão do heavy metal com instrumentos tradicionais, melodias e ritmos do Oriente Médio”, escreve o comentarista israelense Roi Ben-Yehuda. “Ao fazer isso, eles conseguem não apenas explorar a sensibilidade estética regional, mas também demonstrar que o povo judeu tem raízes no Oriente Médio, e que o engajamento com a globalização não necessariamente tem de levar ao abandono da cultura local.” Ele explica que o Orphaned Land usa em suas letras trechos da Torá, do Novo Testamento e do Corão, numa “visão ecumênica de espiritualidade”.

Na mais recente demonstração de pacifismo, Johanna Fakhri, dançarina libanesa, apresentou-se com a banda mostrando uma bandeira de seu país, lado a lado com a bandeira de Israel, como dá para ver abaixo.

Depois desse show, o Orphaned Land caiu na estrada acompanhado de artistas da Tunísia e da Argélia para fazer, nas palavras de Ben-Yehuda, “a primeira turnê de heavy metal judaico-islâmica de que se tem notícia”. É como diz a página dos fãs da banda na internet: “O Orphaned Land é bem-sucedido onde os políticos fracassam!”.

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