Muçulmanos emburrecem população, diz executivo do BC alemão

Marcos Guterman

03 Setembro 2010 | 00h01

A grande questão na Alemanha atualmente não é a crise econômica. O assunto do momento atende pelo nome de Thilo Sarrazin. Executivo do Banco Central alemão e socialdemocrata de carteirinha, Sarrazin acaba de publicar um livro no qual destila, de modo cru, opiniões nada simpáticas aos imigrantes muçulmanos.

Segundo Sarrazin, esses muçulmanos são um problema para o desenvolvimento do país. Seu raciocínio avança: ele diz que os muçulmanos na Alemanha preferem viver à custa do Estado de Bem-Estar Social a arranjar um emprego e que, como têm uma taxa de fertilidade maior do que a média alemã, eles serão cada vez mais numerosos e vão reduzir o QI médio do país.

Não é de hoje que Sarrazin causa controvérsias. Ele já fez parte do governo de Berlim e, na ocasião, vivia reclamando dos cidadãos que recebiam algum benefício pago pelo governo.

Além dos muçulmanos, Sarrazin também emitiu opiniões controversas sobre os judeus – chegou a dizer que eles têm todos “o mesmo gene”, o que os tornaria diferentes de outros grupos. Não é preciso dizer que, na Alemanha, opiniões “genéticas” como essa causam profundo incômodo.

Como Sarrazin não é um extremista de direita, e sim um socialdemocrata militante, suas opiniões não caíram no vazio – e o resultado é que a Alemanha, de novo, está em transe por causa do debate sobre sua relação difícil com os imigrantes, notadamente os muçulmanos.

A revista Der Spiegel fez uma seleção das “melhores” frases de Sarrazin, espécie de resumo de seu “pensamento”. Abaixo, uma parte delas:

“Os turcos estão tomando a Alemanha exatamente como os kosovares tomaram Kosovo: por meio da alta taxa de natalidade. Eu não me importaria se eles fossem judeus do Leste Europeu, com um QI 15% mais alto do que o da população alemã”

“Um grande número de árabes e turcos (em Berlim) não tem função produtiva, a não ser no mercado de frutas e vegetais”

“Eu não tenho respeito por ninguém que viva de benefícios estatais, mas rejeite o Estado, que não tenha o suficiente para a educação de seus filhos e que constantemente produza menininhas com véus”

“Quanto mais baixa a classe social, maior é a taxa de natalidade”

“De uma maneira natural, estamos nos tornando mais burros (por causa da imigração turca, africana e do Oriente Médio)”

“Eu não quero que o país dos meus netos e bisnetos seja majoritariamente muçulmano, ou que turco e árabe sejam falados em larga escala, que as mulheres se cubram com véus e que o ritmo cotidiano seja ditado pelo chamado do muezim. Se eu quisesse ter essa experiência, eu simplesmente tiraria férias no Oriente”.

“Os funcionários públicos são pálidos e fedorentos porque trabalham muito”

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