Morre Lincoln Gordon, o pivô americano do golpe de 1964

Marcos Guterman

21 de dezembro de 2009 | 13h43

O golpe que estabeleceu o regime militar brasileiro em 1964 teve o animado apoio do então embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon – que morreu no sábado passado, placidamente, aos 96 anos.

Gordon foi um dos arquitetos da Aliança para o Progresso – iniciativa do governo Kennedy para ganhar corações e mentes na América Latina para evitar a influência socialista. Era um feroz anticomunista, que acreditava que o Brasil estivesse prestes a se tornar “uma China”.

Em 27 de março de 1964, às vésperas do golpe, Gordon enviou um

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aos secretários da Defesa, Robert McNamara, e de Estado, Dean Rusk, para lhes dizer que o então presidente brasileiro, João Goulart, estava preparando um golpe em conluio com os comunistas. Ele defendia o fornecimento de armas para os generais dispostos a um levante para derrubá-lo. Para Gordon, além disso, era preciso preparar uma intervenção americana “num segundo estágio” do golpe militar, em caso de fracasso.

Gordon morreu dizendo que o culpado pelo levante havia sido a intransigência de Jango, que preferiu levar o debate sobre suas reformas para as ruas, e não para o Congresso. E sempre negou qualquer participação direta dos EUA.

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