Macy Gray e a estupidez do boicote a Israel

Marcos Guterman

20 de janeiro de 2011 | 00h15

No perfil oficial de Macy Gray no Facebook, a cantora americana informou a seus fãs que agendou dois shows em Tel Aviv. Por causa disso, conta, está recebendo “um monte de cartas de ativistas” pedindo a ela que não faça as apresentações, “em protesto contra o apartheid contra os palestinos”. Ela respondeu que acha “nojento” o que o governo de Israel faz com os palestinos, mas disse que quer ir: “Tenho um bocado de fãs lá e não quero cancelar os shows. Não sei o que minha recusa faria para mudar as coisas lá”.

É um bom argumento. Tão bom que foi usado também pelo escritor britânico Ian McEwan, que recebeu o prêmio Jerusalém de literatura e decidiu ir a Israel recebê-lo, a despeito dos apelos para que boicotasse a homenagem. “Acho que é preciso fazer uma distinção entre a sociedade civil e seu governo”, argumentou McEwan. “É a feira de livros de Jerusalém, e não o governo de Israel, que está oferecendo o prêmio. Apelo às pessoas que façam essa distinção – o prêmio é de literatura.”

Um seguidor brasileiro de Macy Gray aproveitou para fazer uma provocação: “Você tem mesmo de ir a Israel e ver com seus próprios olhos e tirar suas conclusões sobre que tipo de apartheid Israel está realizando, ao dar previdência social, remédios, escolas e segurança a todos os árabes-israelenses. Gostaria de ver esse tipo de apartheid no Brasil”.

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