Lula e o esporte “burguês”

Marcos Guterman

10 de agosto de 2010 | 00h05

O presidente Lula, no melhor estilo bolivariano, disse que tênis é um esporte “burguês”. Parecia seu colega venezuelano, Hugo Chávez, que declarou “guerra” ao golfe, qualificando-o também de “esporte burguês”, porque usa terrenos enormes e uma bolinha pequenininha.

O curioso é que o futebol, esporte amado por Lula e visto como essencialmente popular, também começou no Brasil como uma atividade, digamos, “burguesa”. Ou seja: se Lula fosse contemporâneo de Charles Miller, Friese e Friedenreich, os primeiros craques do futebol brasileiro – que usufruíam dos frufrus da “burguesia” –, ele certamente faria campanha contra esse esporte.

Inspirando-se num texto de Graciliano Ramos sobre o futebol, escrito em 1921, esse Lula do passado poderia ter sugerido à juventude brasileira um esporte melhor ­– a rasteira:

“Este, sim, é o esporte nacional por excelência! (…) Cultivem a rasteira, amigos! E se algum de vocês tiver vocação para a política, então sim, é a certeza plena de vencer com auxílio dela. É aí que ela culmina. Não há político que a não pratique. Desde S. Exa. o senhor presidente da República até o mais pançudo e beócio coronel da roça, desses que usam sapatos de trança, bochechas moles e espadagão da Guarda Nacional, todos os salvadores da pátria têm a habilidade de arrastar o pé no momento oportuno. Muito útil, sim senhor. Dediquem-se à rasteira, rapazes”.

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