Líbia: só está começando

Marcos Guterman

18 de março de 2011 | 00h21

Chamaram a Cavalaria, enfim, para resolver o problema causado por Kadafi na Líbia. Não sabemos o que vai acontecer nessa intervenção, mas já é possível imaginar que não será um passeio no deserto. É por isso que a opinião pública americana é contrária ao envolvimento dos EUA em sua terceira guerra simultânea, e é por isso que a Europa se dividiu sobre o assunto. Enquanto França e Grã-Bretanha se preparam para a ação, os alemães já deixaram sua posição clara: eles não estão dispostos a se envolver, com soldados, numa guerra civil que não lhes diz respeito. Berlim parece ter aprendido com as lições da desgastante participação da Alemanha no Afeganistão.

Do ponto de vista militar, o problema é simples: a escalada do envolvimento das potências ocidentais na Líbia, que começa com os famosos “bombardeios cirúrgicos”, levará inevitavelmente, como se sabe, à situação em que os soldados americanos, franceses e britânicos estarão lutando no solo, ao lado dos rebeldes, numa guerra total contra as forças de Kadafi. As perguntas óbvias abundam. Qual será o custo desse engajamento? Que interesses os ocidentais estarão defendendo afinal? Quem são esses rebeldes por quem haverá considerável sacrifício?

Se lembrarmos que a CIA armou a guerrilha islâmica contra os soviéticos no Afeganistão, e depois essa mesma guerrilha se alistou nas hostes de Osama Bin Laden, essas não são, definitivamente, questões simples.

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Ah, sim. Antes que alguém diga que se trata de uma operação imperialista americana para “tomar o petróleo” do soberano país de Kadafi, a resolução da ONU que a autorizou foi patrocinada pelo Líbano, cujo atual governo é hostil aos EUA, e exigida pela Liga Árabe. O blog do Gustavo Chacra explica direitinho.