Lampedusa, a Guantánamo de Berlusconi?

Marcos Guterman

04 de fevereiro de 2009 | 00h20


Negros africanos confinados em Lampedusa: fardo

Dos 36.952 refugiados que chegaram de barco às praias italianas em 2008, cerca de 31 mil desceram na pequena ilha de Lampedusa. A maioria absoluta veio da África. Os que ficam no campo de transição existente no local enfrentam condições bastante ruins de vida, segundo a ONU. O premiê da Itália, Silvio Berlusconi, com sua habitual polidez, negou os problemas e disse que os refugiados podem sair quando quiser e “tomar uma cerveja”.

Antes, o governo da Itália levava esses refugiados para o continente assim que eles chegavam e depois os expulsava, em processo não tão rápido quanto a direita italiana gostaria. Agora, para resolver o problema, Berlusconi mandou construir um novo campo na ilha, onde os refugiados ficarão “hospedados” até que se conclua o processo de expulsão.

Ou seja, Lampedusa teme ter de conviver permanentemente com milhares de refugiados numa espécie de “prisão a céu aberto”. Seus 6.000 habitantes prevêem efeitos devastadores sobre o turismo, principal fonte de renda da ilhota – afinal, como diz a Der Spiegel, ninguém gostaria de passar férias numa Guantánamo de refugiados da África.

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