Justiça britânica decide quem é judeu

Marcos Guterman

16 de dezembro de 2009 | 18h31

A Justiça britânica considerou, em decisão tomada nesta quarta-feira, que ser judeu não é somente (ou não necessariamente) ser filho de mãe judia. A interpretação foi dada no caso de um menino que teve negada sua matrícula numa escola judaica de Londres, a Jews’ Free School. Segundo a direção da escola, que respeita a visão ortodoxa do judaísmo, é a matrilinearidade que define a condição judaica – e a mãe do menino não é judia de nascimento, mas convertida.

A Jews’ Free School é uma escola pública, mas a lei lhe confere o direito de dar preferência a alunos judeus. No entanto, a questão sobre quem é judeu, central na identidade judaica desde pelo menos o século 15 – quando o judeu começou a ser apontado como tal mesmo que se convertesse ao cristianismo – sempre foi objeto de intenso debate. Ao determinar a matrilinearidade como pilar do judaísmo, a ortodoxia reforçou a interpretação de que a identidade judaica não é basicamente religiosa.

No caso do menino britânico cujo pleito foi aceito pela Justiça, o pai é judeu de nascimento, e a ala reformista do judaísmo aceita a linhagem paterna para determinar quem é judeu. Desse modo, a Justiça considerou que o menino é judeu e pode ser matriculado.

David Lightman, cuja filha foi preterida na Jew’s Free School porque sua mulher é judia convertida, disse ao New York Times que a política da escola é absurda – ao fim e ao cabo, acaba aceitando judeus filhos de ateus e fechando a porta a filhos de judeus que, embora convertidos, são fiéis praticantes. E completou:

“Deus saberá lidar com isso. Ele já é bem grandinho. Ele pode decidir quem é judeu e quem não é”.

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