Juiz de NY apela: deixem-me fumar maconha

Marcos Guterman

27 de maio de 2012 | 10h00

Gustin Reichbach, de 65 anos, é juiz em Nova York. Ele publicou um artigo no New York Times em que literalmente implora aos legisladores que aprovem o uso medicinal da maconha. Paciente de câncer no pâncreas, Reichbach é submetido a um tratamento que causa náusea violenta e que torna o hábito de comer e dormir um verdadeiro sofrimento diário. Ele diz que só encontra alívio ao fumar a droga.

“Em vez de testemunhar meu sofrimento, amigos meus escolheram correr riscos pessoais e me trazer a substância. Descobri que umas tragadas de maconha antes do jantar me dão munição para a batalha que é comer. Outras poucas tragadas na cama e eu consigo aquilo de que desesperadamente preciso, que é dormir”, escreveu o juiz.

Para ele, não se trata de uma questão jurídica, mas de direitos humanos: “Quando o tratamento paliativo é entendido como um direito médico e humano fundamental, a maconha para uso medicinal deveria estar acima de qualquer controvérsia”. Reichbach considera que proibir uma droga que é eficiente contra os efeitos do tratamento de câncer e que tem poucos efeitos colaterais é simplesmente um ato de “barbárie”.