Israel está perdendo a guerra da propaganda

Marcos Guterman

18 de fevereiro de 2010 | 00h50

O governo de Israel lançou um projeto para transformar todo o turista israelense que viaja para o exterior num “agente de relações públicas”, para melhorar a imagem do país. “Você está cansado do modo como somos retratados no mundo? Você pode mudar essa imagem”, diz um folheto que está sendo distribuído aos viajantes.

“Para contrabalançar a montanha de dinheiro que os Estados árabes investem em propaganda contra Israel, temos de mobilizar nosso capital humano, isto é, os moradores de Israel”, disse Yuli Edelstein, ministro israelense da Informação.

A iniciativa é sinal claro de que há um certo nervosismo, dentro do governo israelense, diante das severas críticas internacionais que o país vem sofrendo nos últimos tempos. “É uma campanha pueril”, criticou Shlomo Avineri, cientista político da Universidade Hebraica de Jerusalém ao New York Times, a respeito da campanha. “Por trás disso há uma mentalidade bolchevique – transformar cada cidadão em funcionário público não-remunerado para realizar uma política de governo.” Para Avneri, o simples fato de Israel ter um “ministério da Informação” mostra a falta de sofisticação da abordagem israelense.

O problema talvez seja a ênfase no combate a estereótipos grosseiros, como a suposição de que a vida cultural no país é pobre, deixando de lado críticas mais importantes, como a que atribui a Israel uma natureza violenta e segregacionista.

A atualidade desses preconceitos contra Israel – que mal escondem os preconceitos contra os judeus – é evidente. Na Espanha, uma exposição de “arte” de um certo Eugenio Merino obteve repercussão ao atacar a suposta belicosidade dos judeus, como dá para ver na imagem abaixo, que reproduz uma menorá na ponta de uma metralhadora. A menorá é o principal símbolo do judaísmo.

Diplomatas israelenses em Madri protestaram, como era previsível, mas a reação judaica ficou nisso, por ora. Felizmente, não se tem notícia de que Merino tenha sido atacado por judeus ensandecidos ou tenha sido condenado à morte por algum rabino fanático.


A menorá armada: ofensa aos judeus é “arte”

Foto: Efe/Zipi

Tendências: