Israel e palestinos: está ruim, mas pode piorar

Marcos Guterman

26 de março de 2009 | 00h29

A consolidação de Benjamin Netanyahu como chefe de governo em Israel é recebida com apreensão em Washington – enquanto a chanceler americana, Hillary Clinton, defendia a solução de dois Estados durante seu giro por Israel, Netanyahu discursava em favor de soluções “inteligentes”, isto é, permitir que os palestinos reconstruam sua infra-estrutura, sem necessariamente falar de um Estado.

O presidente Barack Obama considerou “insustentável” a situação atual, indicando que o rolo compressor diplomático americano está calibrado para tentar revertê-la. Netanyahu, atento ao movimento, atraiu para suas fileiras o Partido Trabalhista, com o objetivo de dar um verniz “pacifista” à sua coalizão formada majoritariamente por partidos de direita e antiárabes.

O líder trabalhista Ehud Barak vê a inusitada aliança como uma forma de forçar Netanyahu a negociar com os palestinos. Nesta quarta, o futuro premiê disse que os palestinos “deveriam entender que eles têm em nosso governo um parceiro para a paz, a segurança e o rápido desenvolvimento econômico”. Na verdade, porém, a iniciativa trabalhista de aderir ao novo governo pode apenas estender os impasses por mais tempo em vez de superá-los, graças a um ambiente de irreversível desconfiança, acentuado pela radicalização também do lado palestino.

A história nos mostra, porém, que os governos de direita em Israel são capazes de fazer a paz com os mais ferozes inimigos do Estado. Em 26 de março de 1979, há exatos 30 anos, eram oficialmente concluídos os acordos de Camp David, entre Israel e Egito, depois de três décadas de guerras e conflitos. Israel era governado então pelo direitista Menachem Begin, que naquele momento preferiu o pragmatismo à ideologia.

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