Israel: direita, volver

Marcos Guterman

26 de outubro de 2008 | 20h03


Livni anuncia sua desistência: sem espaço para moderação

A chanceler Tzvipi Livni tentou durante várias semanas formar o governo e se tornar premiê de Israel. Fracassou diante da impossibilidade de conciliar a agenda de seu partido, o Kadima (centro), com o Shas (direita religiosa). Entre outras coisas, o Shas queria mais assistência do Estado a famílias grandes – as famílias ortodoxas têm de oito a dez filhos – e exigia que Jerusalém ficasse fora da negociação com os palestinos. Livni se disse chantageada e desistiu, o que deve levar à convocação de eleições, nas quais ela provavelmente terá de enfrentar o ministro da Defesa e líder trabalhista, Ehud Barak, e o ex-premiê Benjamin “Bibi” Netanyahu, líder do Likud e porta-voz do endurecimento das negociações com os árabes.

Nesse cenário, ganha força a direita israelense, não só devido ao episódio do Shas, mas também pela necessidade que Livni teve de compor com Shaul Mofaz, líder do bloco de centro-direita do Kadima, que constantemente a ameaçou de sabotagem. Isso tudo num contexto em que Bibi aparece como favorito numa eventual eleição.

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