Israel, 40 anos de ocupação: indiferença

Marcos Guterman

17 de agosto de 2010 | 19h45

israel

 

Israel ocupa territórios palestinos há mais de quatro décadas. À parte a ofensa às leis internacionais e ao bom senso, a atitude israelense gerou um tipo de dano colateral dificilmente reversível: a indiferença em relação aos palestinos. Foi isso o que se viu no episódio de Eden Abergil, a militar de Israel que se deixou fotografar diante de palestinos vendados e amarrados e publicou as imagens no Facebook. Suas poses deram margem a comentários sexistas e, claro, geraram indignação, levando-a a retirar as imagens.

O Exército de Israel condenou duramente a exposição vexatória dos prisioneiros e a atitude de Eden – que, no entanto, disse não saber o que fez de errado. Segundo ela, as fotos foram tiradas “de boa-fé” e não tinham nenhum significado especial.

Isso mostra que, para Eden, não há nada demais em constranger palestinos. Aos 20 e poucos anos, ela é de uma geração que não enxerga mais os palestinos como inimigos – ela é de uma geração que simplesmente já não enxerga os palestinos de jeito nenhum. A longa ocupação transformou os subjugados em parte da paisagem, como as árvores, os prédios, os carros, os animais. As fotos de Eden, de fato, não têm maldade; elas apenas retratam como uma fração da sociedade israelense parece desconsiderar a existência dos palestinos como indivíduos, com seus desejos, suas dores e sua vergonha.

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