Iraque: depois da guerra, a democracia

Marcos Guterman

10 de março de 2010 | 17h55

Eleições não fazem uma democracia, ao contrário do que dizem os bolivarianos. É necessário que as instituições funcionem de modo independente, é preciso que a lei prevaleça sobre a força, e essa realidade ainda está distante no Iraque. Mas está menos distante do que quando Saddam Hussein detinha o poder. Hoje, é possível dizer, a despeito de todas as agruras iraquianas, causadas em grande medida por uma guerra sectária que antecede – e muito – a presença ocidental ali, que o Iraque caminha para se tornar um país livre.

Ainda há quem torça contra isso – e não é só a Al Qaeda. Muitos “humanistas” esperam que o Iraque se banhe de sangue para comprovar suas teorias sobre o mal intrínseco que representa o Ocidente. Mas a torcida será em vão, como comprovou a enorme afluência de eleitores iraquianos às urnas, mesmo sob o risco de se verem despedaçados pelos terroristas que dispõem do apoio moral dos antiocidentais – gente que, por outro lado, defende a “democracia” do Irã, de Cuba e da Venezuela.

Tudo ainda é muito frágil no Iraque, e o risco maior é o de sempre: que as elites iraquianas prefiram locupletar-se a governar com espírito democrático. E haverá sempre quem responsabilize os EUA também por isso. Mas o fato é que o atual estágio iraquiano já é significativo o bastante para servir como pressão contra as ditaduras recalcitrantes do Oriente Médio e, sobretudo, para mostrar que a democracia pode vingar no mundo árabe, ainda que ao custo de uma guerra.

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