Irã: Dilma agiu bem, mas é cedo para festejar

Marcos Guterman

25 de março de 2011 | 17h46

O governo brasileiro votou a favor da investigação de violações de direitos humanos no Irã. É uma sensível mudança de atitude da presidente Dilma Rousseff em relação a seu antecessor, Lula, que habitualmente considerava essa questão um “problema interno” iraniano. Teerã não escondeu sua fúria, qualificando a notícia de “lamentável” e dizendo que o Brasil havia se “dobrado” aos EUA. A reação não surpreende, porque a relação com o Brasil era a fachada perfeita para provar que o Irã não estava isolado, enquanto mantinha a sangrenta repressão aos dissidentes. Ficou claro que o Irã terá de fazer mais se quiser seduzir Dilma.

Por outro lado, a presença de Marco Aurélio Garcia no governo indica que talvez essa “mudança” não passe de uma estudada medida cosmética. O ideólogo da política externa lulista jura que nada mudou, o que pode ser verdade. Portanto, ainda é cedo para comemorar o que parece ser a volta do Brasil ao grupo dos países adultos.

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