Irã: a mentira como profissão de fé

Marcos Guterman

16 de agosto de 2011 | 17h40

A história está repleta de regimes que não existiriam se não fosse a mentira. O atual governo do Irã é um deles.

A título de provar que o governo britânico é um selvagem repressor e, portanto, não tem nenhuma moral para criticar o Irã por massacrar seus opositores, a imprensa iraniana controlada pelos aiatolás abordou de forma crítica os recentes distúrbios no Reino Unido. Para aumentar o drama, fez acompanhar o material de uma série de fotos sangrentas.

O jornal The Guardian, porém, noticia que algumas das “melhores” fotos eram imagens antigas. Há uma que parece retratar os recentes confrontos no Chile (dá para ver até uma placa de “PARE”). Outra, que mostra um homem com o rosto sangrando, havia ilustrado uma reportagem de 2010 do jornal Daily Mail sobre segurança em estádios de futebol. Um vexame completo.

Não surpreende que o governo iraniano continue apelando para a mentira a fim de confundir a opinião pública, pois é assim que atuam os regimes com vocação totalitária. O mais curioso é que, ainda assim, há quem consiga acreditar neles.

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