Imperialismo chinês?

Marcos Guterman

28 de março de 2009 | 10h55

Desde a emergência dos EUA como potência, o país é acusado de exercitar seus músculos econômicos e militares – o chamado “hard power” – para fazer prevalecer seus interesses ao redor do mundo, constrangendo nações a fazer as vontades emanadas de Washington. Os críticos antiamericanos dão a isso o nome genérico de “imperialismo”.

Pois parece agora que a China, cujo crescente poder militar tem preocupado o Pentágono, segue o mesmo caminho. Festejada como contraponto ao tal imperialismo ianque, Pequim tem feito uso do hard power, e a vítima da vez foi a África do Sul.

O comitê organizador da Copa do Mundo na África do Sul havia convidado o dalai-lama, líder espiritual do Tibete, para uma conferência de paz que incluiria Nelson Mandela e Desmond Tutu. Mas o governo sul-africano negou-lhe o visto de entrada. “É uma traição total à nossa história de luta”, protestou o arcebispo Tutu.

O governo do presidente Kgalema Motlanthe admitiu que a decisão foi tomada tendo em vista a relação da África do Sul com a China. Um quinto do comércio chinês na África é feito com o país, e os sul-africanos dependem do dinheiro da China para manter seus principais bancos funcionando.

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