Imagine se fosse o Obama

Marcos Guterman

30 de abril de 2010 | 23h25

O presidente da Venezuela, que é um verdadeiro democrata e um exemplar chefe de Estado, tornou a emitir sua opinião sobre as eleições alheias. Depois de manifestar “de coração” sua preferência pela petista Dilma Rousseff na disputa ao Planalto, Chávez declarou que o candidato à Presidência da Colômbia Juan Manuel Santos “é um perigo para a paz”. Santos é apoiado pelo atual presidente colombiano, Alvaro Uribe, que Chávez ama odiar.

“Se Santos for presidente da Colômbia, eu não o receberei aqui e será bastante difícil, quase impossível, que tenhamos relações com uma pessoa como ele”, declarou Chávez, sem medo de ser feliz.

Os simpatizantes de Chávez certamente encontrarão boas razões para justificar a atitude do venezuelano – que já emprestou sua descarada “solidariedade eleitoral” a Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, Daniel Ortega na Nicarágua e Manuel Zelaya em Honduras.

É possível imaginar, no entanto, o que diriam esses militantes da causa chavista se o presidente dos EUA, Barack Obama, decidisse deixar de lado a civilidade política e manifestasse apoio “de coração” a José Serra, dizendo que, se Dilma ganhasse a eleição, ele não a receberia.

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