Honduras: golpe ou contragolpe?

Marcos Guterman

29 de junho de 2009 | 08h24

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto no domingo pelo Exército, a pedido do Judiciário. Em linhas gerais, foi um golpe de Estado, pronta e adequadamente condenado pela comunidade internacional, inclusive pelos EUA, cuja história de influência sobre Honduras não é nada edificante.

Dito isso, é preciso, no entanto, olhar o caso de perto e perceber que a coisa não é assim tão simples. Seguindo o modelito chavista, Zelaya estava a caminho de dar ele mesmo um golpe de Estado, ao mudar a Constituição para se permitir a reeleição indefinida. O instrumento para isso seria o referendo popular, velho instrumento chavista para dar verniz democrático a rupturas institucionais. Foi flagrado no meio do caminho pela Suprema Corte e pelo próprio Parlamento hondurenho, que se recusaram a realizar a consulta popular. Diante da insistência de Zelaya, a destituição foi a culminação óbvia desse processo.

Golpes de Estado deveriam fazer parte de um passado distante na América Latina, e causa espécie que ainda ocorram. A ruptura hondurenha deve ser objeto da mais veemente crítica e repúdio. Mas não podemos perder de vista que não há inocentes nessa história.

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