Hijab, uma falsa polêmica

Marcos Guterman

09 de junho de 2011 | 22h30

Defensores dos direitos dos muçulmanos nos EUA pediram ao Comitê Olímpico do país que interviesse no caso de uma levantadora de peso muçulmana, a americana Kulsoom Abdullah, banida de torneios porque insiste em competir usando o hijab, tradicional roupa feminina islâmica que cobre boa parte do corpo da mulher.

Para esses grupos, a lei impede que entidades esportivas discriminem atletas “com base em raça, cor, religião, sexo, idade ou origem nacional”. O mesmo argumento foi usado para defender que a seleção feminina de futebol do Irã pudesse jogar de hijab as eliminatórias olímpicas, o que a Fifa vetou.

Trata-se de um falso problema, criado pela violenta premissa segundo a qual as leis religiosas devem necessariamente se sobrepor às normas civis. Qualquer entidade esportiva que pretenda organizar competições deve estabelecer regras específicas para a disputa, e uma delas, está claro, é o tipo de uniforme. No caso da Fifa, que tem todo o interesse de incluir o maior número possível de países em seus campeonatos, a entidade fez até várias concessões para os times de mulheres muçulmanas, permitindo alguma forma de vestimenta para cobrir a cabeça. Isso, no entanto, parece não ter sido o bastante para a seleção iraniana, que violou até mesmo essa norma leniente, razão pela qual foi excluída.

As entidades muçulmanas não perderam tempo para qualificar essa decisão de “islamofóbica”, o que é um óbvio absurdo: essas mulheres não puderam competir simplesmente porque infringiram o regulamento sobre os uniformes, e não porque são muçulmanas. Mas esse raciocínio é irrelevante quando se está em plena campanha de constrangimento para que grupos religiosos possam se colocar acima da lei.

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