Goldman Sachs, um banco humanista

Marcos Guterman

14 de março de 2012 | 17h57

Greg Smith, um dos principais executivos do Goldman Sachs, pediu demissão do banco de investimentos por meio de um artigo publicado no New York Times. Não foi somente uma demissão; foi uma lição de moral.

Ele escreveu que o sucesso do Goldman Sachs era, até pouco tempo, resultado do “espírito de humildade” de seus executivos e da vontade de “sempre fazer a coisa certa para seus clientes” – gente que, somada, tem mais de US$ 1 trilhão na conta bancária para administrar e investir. Ele diz que “não se trata só de fazer dinheiro”, porque “só isso não sustentaria uma empresa por tanto tempo” – já são 143 anos.

Ainda bem que Smith, que ficou 12 anos no banco, admite que é difícil “o público cético” acreditar nessa bondade do banco, sabendo-se, ainda mais, que sobre o Goldman Sachs pesam várias acusações, que vão de uso de informação privilegiada a ter ajudado a Grécia a maquiar suas contas.

Mas, de fato, o Goldman Sachs cultiva um perfil “cidadão”. É um dos bancos que mais investem em iniciativas contra o aquecimento global. Além disso, incentiva seus funcionários à filantropia e tem programas para ensinar pessoas em países em desenvolvimento a gerenciar recursos. Aparece frequentemente entre os melhores lugares do mundo para trabalhar.

Mesmo assim, o executivo Smith resolveu chutar o balde. Segundo ele, a “fibra moral” do banco está desmoronando. Agora, para subir profissionalmente no Goldman Sachs, diz Smith, não é mais necessário pensar na instituição e no que ela supostamente representa; agora, basta pensar em meios de ganhar mais e mais dinheiro.

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