Fundamentalistas islâmicos não gostam da Copa

Marcos Guterman

11 de junho de 2010 | 00h03

A Somália não irá à Copa, mas os somalis, como a maioria dos africanos, são loucos por futebol e querem acompanhar os jogos pela TV. O problema é que a milícia fundamentalista islâmica Al-Shabaab, que controla boa parte do país, ameaça punir quem aderir à febre do futebol – o grupo costuma decapitar os “infratores”.

Para a Al-Shabaab, o futebol desvia a atenção dos jovens, que deveriam estar concentrados na “jihad”. A explicação é semelhante à do clérigo egípcio Mus’id Anwar. Em recente entrevista à TV Al-Rahma, Anwar criticou duramente o futebol, dizendo que “jovens muçulmanos decoram resultados das partidas, mas não memorizam o Alcorão”. O clérigo lamentou: “As mesquitas estão sendo afetadas pelo futebol. Se houver uma partida na hora da oração da tarde, haverá somente duas fileiras de fieis na mesquita; se não houver jogo, a mesquita fica lotada”.

Para Anwar, a culpa pela febre do futebol é, adivinhem só, dos judeus:

“Os judeus, ou os sionistas, têm os Protocolos dos Sábios de Sião. Há mais de cem anos, eles formularam um plano para dominar o mundo, e eles estão implementando esse plano. Um dos protocolos diz: “Mantenha os não-judeus preocupados com músicas, futebol e filmes”. Isso está ou não está acontecendo? Está. Os sionistas trabalham para gerar animosidade entre os muçulmanos e mesmo entre os países muçulmanos usando o futebol. A quem interessa isso? Aos judeus. Eles são muito bem-sucedidos, a ponto de o futebol ter se tornado uma religião”.

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