Finalmente, alguém fez a pergunta certa

Marcos Guterman

14 de agosto de 2009 | 12h13

A Economist saiu nesta semana com um editorial muito pertinente. Perguntando “de que lado está o Brasil”, a revista convida o presidente Lula a “defender a democracia em vez de abraçar os autocratas”. Afinal, diz o texto, Lula só chegou à Presidência graças às maravilhas da democracia. “Por que outros países mereceriam menos?”

É a pergunta que aqueles que prezam a democracia deveriam estar fazendo há muito tempo. A diplomacia do Brasil se orgulha, com razão, de manter-se eqüidistante dos pólos do debate geopolítico justamente para exercer o papel mediador para o qual julga ter vocação histórica. Mas há situações em que é preciso tomar atitudes mais enérgicas.

Não é possível considerar normal e democrático o que está acontecendo na Venezuela, sob qualquer ponto de vista. No entanto, não somente o Brasil se omite em relação a isso, como também seu governo corrobora o chavismo. O apoio irrefletido à histeria calculada de Chávez a respeito do acordo militar entre Colômbia e EUA é só o episódio mais recente. Houve outros, igualmente embaraçosos, como quando Lula disse haver “excesso de democracia” na Venezuela, a despeito da ojeriza de Chávez à alternância de poder, da perseguição sistemática aos opositores e do controle crescente do Legislativo, do Judiciário e da imprensa.

Lula fará seu papel de estadista se, como diz a Economist, chamar Chávez e lhe disser que há uma linha que não pode ser ultrapassada. O resto é conversa de botequim.

Tendências: