Fidel, guia dos povos e do beisebol

Marcos Guterman

27 de março de 2009 | 00h00


Fidel, o Babe Ruth do socialismo

A seleção cubana de beisebol foi eliminada pelo Japão de um importante torneio mundial disputado nos EUA. O resultado, o pior nas seis décadas de história da Cuba revolucionária, foi encarado na ilha como uma tragédia. Na volta da equipe, os jogadores foram recebidos pelo presidente Raúl Castro, em traje militar, que os exortou a “continuar se superando no futuro”. Mas foi o vice-presidente Esteban Lazo quem castigou os atletas. Saudando-os como “filhos que voltam de uma cruenta batalha”, Lazo mandou que os jogadores fizessem um exame “rigoroso” de seu desempenho e, para isso, lessem o artigo escrito pelo “companheiro Fidel” a respeito da derrota.

“A reflexão de hoje do companheiro Fidel, que vocês receberão ao terminar o ato, deverá ser estudada com profundidade por vocês e por todos os diretores e técnicos do esporte, como um guia de aperfeiçoamento que devemos realizar em vários sentidos, avaliando-o sistematicamente”, discursou Lazo.

No artigo que os jogadores de beisebol de Cuba foram obrigados a decorar, intitulado “Os culpados somos nós”, o não-tão-ex-ditador Fidel escreveu: “Dormimos sobre os louros e estamos pagando agora as conseqüências”. Ele admitiu que a escalação do time fora “sugerida desde Cuba, com assessoria de especialistas”, mas criticou duramente a direção do time, classificada de “péssima”. Jornalistas cubanos, como é óbvio, disseram que a análise de Fidel “terá conseqüências imediatas”.

Para Fidel, o Japão demonstrou uma capacidade técnica que Cuba não teve, graças ao treinamento espartano de seus atletas. Os japoneses “se vêem obrigados a realizar 400 lançamentos por dia”, e fazem isso com prazer, como um “autocastigo”. “Eles vão adquirindo assim um controle muscular notável, que obedece às ordens do cérebro. É por isso que seus lançadores assombram por sua capacidade de colocar as bolas nos pontos exatos que escolhem.”

Mas, como de hábito, Fidel conseguiu encontrar rapidamente um bode expiatório, além do pobre técnico. Ele pôs a culpa na organização do torneio, a quem acusou de perseguição por ter colocado Cuba numa chave difícil: “O que importava aos organizadores era eliminar Cuba, país revolucionário que tem resistido heroicamente e não foi vencido na batalha das idéias”.

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