EUA trafegam pela rota dos ditadores

Marcos Guterman

23 de dezembro de 2009 | 00h00

Em nome da manutenção do esforço de guerra no Afeganistão, os EUA estabeleceram uma linha de suprimento de material bélico que passa por países como Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tajiquistão. Todos esses aprazíveis lugares têm algo em comum, além de terminar em “ão”: são ditaduras.

Ou seja: para estabelecer uma democracia no Afeganistão, a Realpolitik americana não se vexa de fazer contato e obter colaboração de regimes autoritários da Ásia Central. E aqui se está falando de Barack Obama, Prêmio Nobel da Paz, e não de George W. Bush, que o mundo adorava odiar.

O pior desse cenário, revelado pelo Washington Post, é que o envolvimento americano com essas ditaduras é apenas de ocasião – ou seja, não há nenhuma intenção, por parte de Washington, de cobrar desses países que se comportem um pouco melhor. Pelo contrário: alguns deles se tornaram compradores de armas dos EUA, em nome do combate ao terrorismo.

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