Em defesa dos especuladores do petróleo

Marcos Guterman

12 de abril de 2012 | 10h00

A alta dos preços da gasolina nos EUA levou vários setores do país, inclusive o presidente Barack Obama (de olho nos problemas eleitorais), a responsabilizar “especuladores” do mercado de petróleo pela crise. Para o especialista em energia Blake Clayton, do Council on Foreign Relations, no entanto, essa é uma conclusão simplesmente “populista”, como se sombrios magnatas estivessem manipulando preços para obter lucros astronômicos à custa do sofrimento dos pobres mortais.

Em artigo na Foreign Affairs, Clayton explica que o que chamamos de “especuladores” são os investidores que, de fato, permitem à indústria do petróleo ter financiamento para correr riscos na exploração do produto e que ajudam a regular os preços. Sem os “especuladores”, as consequências seriam desastrosas, com preços disparando de uma hora para outra, muitas vezes sem conexão com o real valor do produto.

A situação atual de alta, diz Clayton, é resultado de um amplo conjunto de circunstâncias que passam longe de Wall Street – elas variam da tensão em relação ao Irã até cortes não programados na produção do Sudão do Sul. Como ninguém sabe qual será o desfecho de tantas questões, os preços passam por grande volatilidade.

Clayton lembra que a alternativa aos especuladores todos sabemos qual é: o mundo à mercê de países produtores ou de companhias de petróleo, que no passado acertavam entre si o preço do barril. “Os críticos dos especuladores deveriam ter cuidado com o que desejam.”

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