E surge o Movimento Continental Bolivariano

Marcos Guterman

08 de dezembro de 2009 | 22h34

Com um manifesto que começa dizendo “um fantasma recorre nuestra América” (algo como “um espectro ronda a Europa”, mas sem o charme intelectual de Marx), formou-se nesta terça-feira o Movimento Continental Bolivariano (MCB). A fundação se deu em Caracas, centro do império chavista, reunindo militantes de 30 países, entre os quais o Brasil. Assim como o Manifesto Comunista, o programa do MCB invoca a luta de classes como preâmbulo e motor: “El capitalismo fracasó”.

O MCB, conforme expressa no manifesto, considera a guerra como uma forma legítima de ação, invocando os tempos da independência da América espanhola: “Nos liberamos de los tiranos por la senda de la guerra y del honor, haciendo uso del derecho imprescindible y sagrado de la resistencia a la opresión”. E acrescenta: “Que el Movimiento Continental Bolivariano, sus liderazgos políticos y sociales, se erijan en el Estado Mayor que conduzca la marcha de los pueblos hacia el triunfo de la revolución continental”.

A ideia da “revolução continental” é justamente o centro do chavismo. Sua intervenção direta na Bolívia, na Nicarágua, no Equador e recentemente em Honduras faz parte desse movimento, cujo apelo ao enfrentamento é evidente.

Não surpreende, portanto, que as Farc, grupo narcoterrorista colombiano, tenha manifestado apoio total à iniciativa. Em nota, o comandante da guerrilha, Alfonso Cano, declarou: “Constituir un movimiento político continental, de esencia bolivariana, justo cuando el imperio estadounidense despliega su fuerza militar en Colombia y dispone, amenazante, sus aparatos de guerra y terror contra los pueblos latinoamericanos y caribeños, es no solo una necesidad histórica sino un deber inaplazable, que señaliza el horizonte de la unidad combativa de nuestros pueblos en defensa de su dignidad, independencia, historia, valores, cultura, territorio, recursos humanos, riquezas naturales y del inalienable derecho a forjar soberanamente su futuro”.

A resposta colombiana não tardou. Para o general Padilla de León, se o MCB não rechaçar publicamente o apoio das Farc, ficará claro que o movimento é “cúmplice das violações aos princípios humanísticos” e “deixaria grandes dúvidas, perante os democratas e o mundo, sobre quais são seus verdadeiros propósitos”.

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