E a crise chega ao Pentágono

Marcos Guterman

02 de novembro de 2008 | 00h22


Soldado americano carrega o peso da crise nas costas

Os militares americanos vêm se envolvendo, nos últimos anos, num intenso debate sobre qual deveria ser a característica da máquina de guerra dos EUA – se carregada de armas sofisticadíssimas para guerras convencionais, ou se reforçada com mais soldados para conflitos localizados contra guerrilhas. Como essa disputa filosófica nunca foi resolvida, o orçamento militar americano, estratosférico desde o 11 de Setembro, inchou ainda mais para atender a ambos os conceitos. Agora, com a enorme crise econômica, o impasse terá de ser superado simplesmente porque não há mais dinheiro suficiente, informa o Wall Street Journal.

“A conta finalmente chegou”, resumiu o deputado democrata Neil Abercrombie, da subcomissão de Serviços Armados da Câmara. Diante disso, os defensores de cada uma das idéias adverte que a adoção da outra pode pôr em risco a segurança dos EUA. Os partidários das guerras sofisticadas acreditam que somente forças bem-equipadas serão capazes de enfrentar a Rússia ou a China num eventual conflito. Já os militares que defendem um número maior de soldados dizem que só assim será possível vencer no Iraque e no Afeganistão.

Como diz o WSJ, “a decisão final caberá ao próximo presidente, que terá de lidar com um orçamento de defesa cujo valor deve ser significativamente menor”.

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