Dois retratos de um atentado terrorista

Marcos Guterman

20 de agosto de 2009 | 19h17

As duas fotos abaixo dizem respeito à mesma notícia e são até parecidas, mas exprimem atitudes completamente diferentes.

A primeira foto mostra um líbio com um cartaz do terrorista Abdel Baset al-Megrahi, em meio à festa de milhares de pessoas para recebê-lo em sua volta ao país. Condenado à prisão perpétua na Escócia pelo atentado que derrubou um avião da PanAm sobre Lockerbie em 1988, matando 270 pessoas, Al-Megrahi foi solto pelas autoridades escocesas depois de cumprir apenas oito anos de sua pena. A razão da libertação foi humanitária – ele sofre de câncer em estado terminal –, embora Al-Megrahi não tenha demonstrado nenhuma consideração humanitária pelos 270 inocentes que ajudou a matar. Além disso, como nada na Líbia acontece sem que Muammar Kaddafi saiba, é lícito supor que foi o ditador quem incentivou a recepção ao terrorista – o mesmo Kaddafi que foi celebrado por diversos líderes ocidentais (Lula o chamou de “amigo e irmão“) por ter supostamente renunciado ao terrorismo. Barack Obama havia dito que esperava que Al-Megrahi fosse preso na Líbia, e não recebido como herói, mas o presidente americano foi olimpicamente ignorado por Kaddafi. Parece que o velho ditador líbio não se emenda mesmo.

Já a segunda imagem é da americana Rosemary Mild. Ela segura uma foto de Miriam Luby Wolfe, sua filha, morta no atentado de Lockerbie. Como dá para notar, diferentemente dos líbios, Rosemary não encontrou motivo para festejar a libertação de Al-Megrahi.

Fotos: Amr Nabil/Associated Press e Steve Ruark/Associated Press

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