Diplomacia brasileira vive surto bushista

Marcos Guterman

29 de setembro de 2009 | 15h44

O Brasil caminha a passos largos para se tornar potência mundial relevante, se é que já não chegou lá. A julgar pelos acontecimentos em Honduras, porém, o país ainda precisa de um tempo para aprender a lidar com esse poder.

Na última reunião da OEA, o embaixador brasileiro irritou-se com a falta de consenso a respeito de Honduras e disse que a entidade “está caminhando para um absoluto estado de irrelevância“. Lembrou os melhores tempos de George W. Bush, quando o presidente americano declarou, pouco antes da invasão do Iraque, que a ONU corria o risco de se tornar uma “sociedade de debate irrelevante e ineficiente” se não se juntasse ao esforço americano contra Saddam Hussein.

O governo brasileiro, encastelado em suas certezas, parece ter concluído que aqueles que não apóiam suas posições a respeito de Honduras estão contra a história. É mais ou menos como pensava Bush, com sua “clareza moral”. O problema é que o bom senso manda que se tenha cautela diante da complexidade do caso hondurenho, e a falta de uma posição comum na OEA talvez reflita essa dificuldade. É hora de seguir a tradição diplomática brasileira em favor do diálogo, e não de dizer, como Bush: “Ou estão conosco, ou estão contra nós”.

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