Desnudando o poder de Putin

Marcos Guterman

08 de outubro de 2010 | 01h30

O ativista russo de direitos humanos Oleg Kozlovsky publicou interessante comentário no Huffington Post sobre o “presentinho” que estudantes de jornalismo da Universidade de Moscou ofereceram ao primeiro-ministro Vladimir Putin: um calendário em que 12 alunas aparecem de lingerie, acompanhadas de frases “quentes” como “Vladimir Vladimirovich, nós te amamos”, “Vladimir Vladimirovich, o senhor só melhora com o passar dos anos” e “Vladimir Vladimirovich, quem mais senão o senhor?“. É mais uma prova do impressionante culto à personalidade dedicado ao premiê, mas o surpreendente, mostra Kozlovsky, é que tenha partido justamente de estudantes de jornalismo – profissão destruída na Rússia de Putin.

A Universidade de Moscou formou gente como Anna Politkovskaya, assassinada em 2006, e Anastasia Baburova, assassinada em 2009. Para Kozlovsky, a iniciativa sexy das estudantes mostra que a nova geração de jornalistas russos parece mais inclinada a “posar sem roupa para homenagear autoridades do que a investigar seus desmandos”.

Nem tudo está perdido, porém. Seis outras estudantes da mesma universidade publicaram outro calendário em que aparecem vestidas, com esparadrapos na boca e com perguntas incômodas: “Quem matou Anna Politkovskaya?”, “Quando será o próximo ataque terrorista?” e “A liberdade de reunião vale a qualquer tempo e em qualquer lugar?”.

“A controvérsia na Universidade de Moscou”, escreveu Kozlovsky, “mostra que a questão em foco é a própria missão do jornalismo: devemos ficar nus ante as autoridades ou devemos tornar a verdade nua?”

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