Desarmar ou não desarmar, eis a questão

Marcos Guterman

08 Fevereiro 2010 | 18h21

O sonho de um mundo livre de armas nucleares, já vocalizado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, foi objeto de recente colóquio em Munique, intitulado “Is Zero Possible?”. Ross Douthat, do New York Times, argumenta que essa é uma falsa questão, movida pelo “provincianismo” americano. Segundo ele, é ingênuo supor que a corrida nuclear será interrompida quando as superpotências, mormente os EUA, abrirem mão de seus arsenais.

“Na verdade”, diz Douthat, “a nuclearização é resultado de preocupações regionais” – e os exemplos de Israel, Paquistão e Índia provam isso. Para o articulista, se EUA e Otan anunciarem o desarmamento, países como Japão, Coreia do Sul, Turquia , Egito e Arábia Saudita, desprovidos do “guarda-chuva nuclear” de que hoje dispõem graças a tratados de defesa com os americanos e os europeus, se verão obrigados a construir seus próprios arsenais.

Em artigo no El País, o historiador Timothy Garton Ash diz que esse é justamente o atual problema: em meio ao debate claudicante sobre o “zero global”, “estamos perto de chegar ao ponto sem retorno da proliferação nuclear”.