Depois da “Cortina de Ferro”, o “Torno de Aço”

Marcos Guterman

04 de julho de 2010 | 16h08

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, fez um discurso na Polônia que invocou Winston Churchill. Ela lembrou que, há 60 anos, Churchill havia alertado o mundo para a “Cortina de Ferro” que estava sendo baixada pela URSS sobre a Europa – designando a barreira atrás da qual o autoritarismo soviético subjugaria diversas nações nas décadas seguintes, tendo a Polônia como seu principal símbolo. Agora, porém, disse Hillary, o risco é o do “torno de aço”, com o qual diversos governos no mundo estão “lentamente esmagando a sociedade civil e o espírito humano” em seus países.

Ela citou especificamente Zimbábue, República Democrática do Congo, Etiópia, Cuba, Egito, Irã, Venezuela, China e Rússia.

“Alguns desses países ainda se dizem democráticos”, lamentou Hillary. “Democracias não temem o próprio povo. Elas reconhecem que os cidadãos devem ser livres para se reunir, advogar e agitar.”

Enquanto isso, no dia seguinte, Lula apertou calorosamente a mão do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mbasogo, que está no poder há 31 anos. Obiang é conhecido por mandar torturar e assassinar opositores como moscas e já foi descrito pela rádio estatal do país como “o deus da Guiné Equatorial”. Em vez de se constranger com as violações de direitos humanos no país africano, Lula quer ampliar o insignificante comércio com Obiang e faz lobby pela entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, mesmo que quase ninguém naquele lugar fale português.

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