Da legitimidade de matar crianças

Marcos Guterman

30 de maio de 2011 | 17h56

O aiatolá Mohammad-Taqi Mesbah-Yazdi é um dos principais líderes do Irã e é tido como o conselheiro espiritual do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Em sua página pessoal na internet, ele esclarece dúvidas sobre questões religiosas – em inglês, para que ninguém alegue “problemas de tradução” do persa, desculpa geralmente usada para dizer que o antissemitismo feroz do regime iraniano é apenas um mal-entendido.

A respeito de “operações de martírio”, isto é, ações de terroristas suicidas, o sábio respondeu às seguintes questões:

1) É contra os princípios do islã matar-se em operações contra alvos militares?

Para Yazdi, a “propaganda dos inimigos do islã” está desviando a atenção dos muçulmanos de seu verdadeiro objetivo, que é planejar a “destruição do regime sionista”, fazendo-os questionar o método palestino de “autodefesa” – isto é, os atentados suicidas. Segundo o aiatolá, quando se trata de defender o islã, o “martírio” não é somente permitido, é uma “obrigação”.

2) Há quem diga que civis israelenses são como quaisquer outros civis, mas há quem diga que eles não são civis, e sim ocupantes. É proibido (haram) atacar civis israelenses, inclusive crianças?

Yazdi diz que os muçulmanos não devem atacar os civis que “anunciaram sua oposição aos crimes de seu governo”. No entanto, se os civis forem usados como “escudos humanos” e, para combater os “agressores”, seja necessário matar esses civis, então o ataque é permitido. Ou seja: se as crianças israelenses estiverem no meio do caminho, elas se tornam alvos legítimos desses “libertadores” muçulmanos.

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