Com Obama, americanos debatem o "Estado-babá"

Marcos Guterman

24 de junho de 2009 | 00h32

Desde que começou, o governo Obama tem se empenhado em ampliar a ação do Estado na vida dos cidadãos americanos, e não somente no aspecto mais vistoso, o econômico. Para desespero dos conservadores, que vêem nisso uma intromissão indevida nas liberdades individuais e no desenvolvimento da responsabilidade pessoal, Obama tem estimulado os americanos a se “comportar melhor”.

Como mostra o Wall Street Journal, a ambição do governo vai desde os grandes impasses ambientais até as pequenas questões cotidianas, como cuidar da saúde. Por meio de ações de “esclarecimento”, os americanos têm recebido informações sobre como seu comportamento pode influenciar, positiva ou negativamente, o bem comum.

O Journal lembra que a idéia não é nova nos EUA. Reagan, por exemplo, fez campanha pessoal contra as drogas. Já no Brasil, a tentação do Estado de orientar coletivamente a sociedade para moldar seu comportamento em nome do “bem comum” teve um exemplo significativo na ditadura militar.

A Aerp (Assessoria Especial de Relações Públicas), órgão responsável pela formulação da imagem do “novo país” que a ditadura estava pretendendo criar, bolou campanhas cujo objetivo era educar os brasileiros para um ambiente “harmonioso” e “saudável” – portanto, impermeável às influências desagregadoras da subversão da ordem.

Uma das campanhas mais duradouras foi a do personagem Sujismundo, que pode ser vista abaixo. A mensagem vinculava a “limpeza” – sanitária e moral – ao “desenvolvimento”, que significava a construção de uma identidade coesa para o “Brasil Grande”.

Para quem se interessar pelo assunto, o melhor livro sobre o tema é “Reinventando o Otimismo – Ditadura, Propaganda e Imaginação Social no Brasil”, do brilhante historiador Carlos Fico.

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