Chávez, um verdadeiro humanista

Marcos Guterman

07 de janeiro de 2009 | 00h12

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu expulsar do país o embaixador de Israel, como protesto pela ofensiva israelense contra Gaza. Em nota veemente, o governo venezuelano disse ter tomado a medida para reafirmar “sua vocação de paz e sua exigência de respeito ao direito internacional”. Para Caracas, “se houvesse vergonha neste mundo”, o premiê de Israel, Ehud Olmert, e o presidente dos EUA, George W. Bush, deveriam ser julgados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. Classificou o governo de Israel de “assassino”, e o Exército israelense de “covarde”, por “atacar um povo rendido e inocente”.

A atitude de Chávez não surpreende. Quem conhece a fundo sua biografia, e não liga para as calúnias da mídia vendida ao imperialismo, sabe perfeitamente que ele é um humanista. Por exemplo, em agosto de 2000, o misericordioso presidente venezuelano se tornou o primeiro chefe de Estado a visitar o presidente do Iraque, Saddam Hussein, desde a Guerra do Golfo, em 1991. Como se sabe, Saddam, que era outro humanista, estava sendo alvo de sanções internacionais na ocasião, coisa que Chávez qualificou de “injusta”. Saddam, o amigão de Chávez, chegou a levar o pacifista venezuelano para um passeio de carro, como mostra a imagem abaixo. Não se sabe o que eles conversaram no tête-à-tête, mas certamente o iraquiano deve ter aproveitado a momentosa ocasião para contar em detalhes como liquidou milhares de civis iraquianos, especialmente os 180 mil curdos assassinados em 1988. Destes, 5 mil foram mortos com o uso de armas químicas, no famoso massacre de Halabja, que também pode ser visto abaixo.

Grande humanista, esse Chávez.


Aqui, Saddam e Chávez dão uma voltinha


Aqui, crianças vítimas do falecido amigo de Chávez

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