Chávez tenta salvar o amigão Kadafi

Marcos Guterman

03 de março de 2011 | 23h05

O presidente da Venezuela e farol dos povos, Hugo Chávez, propôs a criação de um “comitê internacional” para mediar o conflito na Líbia – ainda governada por seu amigo e tirano de estimação Muamar Kadafi. Segundo Chávez, é uma maneira de alcançar a paz de maneira negociada e impedir uma invasão americana da Líbia para controlar seu petróleo; segundo o mundo civilizado, por outro lado, trata-se de mais uma patacoada bolivariana, desta vez para salvar a pele de Kadafi, o “Simon Bolíviar líbio”.

“Qualquer mediação que permita a permanência de Kadafi no poder obviamente não é bem-vinda”, reagiu o chanceler da França, Alain Juppé. A questão é evidente: Kadafi está massacrando os líbios, e a prova mais visível disso são os 150 mil refugiados em menos de um mês. A essa altura, o ditador é um pária e não tem nada a oferecer em qualquer negociação séria.

Mas a negociação chavista não é para ser séria – serve somente para adicionar confusão a um cenário caótico e, assim, ajudar Kadafi. É equivalente ao circo montado em Teerã para celebrar o “acordo” do Irã com o Brasil e a Turquia acerca do seu programa nuclear, que só foi útil para que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tentasse ganhar tempo e evitasse sanções contra o país. Não funcionou porque os líderes das potências do Conselho de Segurança da ONU não são idiotas.

O plano chavista é tão bom para Kadafi que ele rapidamente o aceitou – o problema é que os rebeldes o rejeitaram. Jasmina Kelemen, do Christian Science Monitor, teve uma ideia melhor para Chávez: “Uma proposta mais razoável poderia ser deixar Kadafi montar sua tenda em uma das maravilhosas ilhas na costa caribenha da Venezuela”.

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