Chávez assume ditadura de vez

Marcos Guterman

25 de março de 2010 | 20h25

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parece que se cansou, ele mesmo, da farsa que montou no país e a que dá o nome de “democracia”. Até agora, os opositores do regime geralmente vinham sendo presos por “sonegação de impostos” ou outra desculpa esfarrapada qualquer. Isso mudou: Guillermo Zuloaga, presidente da rede de TV Globovisión, foi preso nesta quinta-feira sob a acusação de ter “ofendido” Chávez. Ou seja: cometeu crime de opinião.

A “ofensa” de Zuloaga foi formulada em declarações feitas em reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa, em Aruba, na semana passada. “Não se pode falar em liberdade de expressão em um país quando o governo usa a força para fechar meios de comunicação”, discursou Zuloaga na ocasião. “O presidente Chávez ganhou umas eleições e conta com legitimidade de origem, mas tem se dedicado a ser o presidente de um grupo de venezuelanos, dividindo os cidadãos.”

O pedido de prisão foi feito pela Assembleia Nacional. A presidente desse pseudo-Parlamento a serviço do chavismo, Cilia Flores, disse que há uma “campanha internacional” da direita venezuelana em favor de Zuloaga, com vista a evitar a “grande vitória do povo” nas eleições do dia 26 de setembro. Ou seja: apelou à surrada tese de conspiração golpista para justificar a perseguição a quem discorda de Chávez. “A Venezuela se respeita, não é o quintal de ninguém, e esses porta-vozes (da direita) não têm nenhuma qualidade para questionar o país”, discursou a deputada, negando a um cidadão venezuelano o direito de criticar seu governo.

Para Flores, claro, não há presos políticos na Venezuela: “O que há é justiça”. O presidente Lula certamente há de concordar.

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