Cesare Battisti está certo

Marcos Guterman

05 Setembro 2011 | 21h48

O terrorista Cesare Battisti, condenado na Itália por quatro assassinatos e asilado no Brasil graças aos bons companheiros no governo petista, apareceu tomando cerveja em Cananeia, litoral de São Paulo. Em uma única declaração de sua entrevista à Folha (aqui, para assinantes), ele revelou sinceridade incomum para um esquerdista tão badalado:

“As pessoas me falam: ‘Cesare, e a revolução?’ Que revolução? Isso hoje é uma piada. Eu tinha 16 anos quando entrei no ativismo, não sou mais essa pessoa. Se eu continuasse um revolucionário hoje, seria um idiota”.

Battisti está certo. O lulismo mostrou que a “revolução” não só é uma sandice, como também é absolutamente desnecessária. Em seu lugar, basta a acomodação das forças políticas, costuradas por fisiologismo explícito, num processo repulsivo em que a ética se converte em obstáculo à manutenção do projeto de poder.

É certo que o cinismo é um fato político incontornável, razão pela qual as vestais, por sua intransigência moral, geralmente se sentem mais à vontade em ditaduras que em democracias. Mas, no caso petista, esse cinismo parece ter atingido níveis inéditos. É como disse o vice-líder do governo Dilma na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), a respeito das alianças petistas: “Ninguém está preocupado se Sarney é isso ou aquilo. Queremos garantir a governabilidade”.